Buscar

Memórias de nosso futuro

Não é raro perceber a resistência de algumas pessoas à ideia do planejamento.

É como se planejar fosse macular, aviltar ou simplesmente engessar a liberdade da ação, a espontaneidade da criação.

Grande engano.

Planejamento e engessamento aproximam-se apenas por uma rima rica, porém previsível.

Planejar, ao contrário, é uma ação para criar condições, uma ação para contribuir para o êxito daquilo que se deseja realizar.

Mas planejar é uma ação que tem como pré-requisito a maturidade. Aquela que já se apresentou ao sujeito adulto no momento em que percebeu que o pensamento infantil, da realização mágica dos desejos, ficou para trás.

Desejar é fundamental, mas não basta.

Certa vez, na dedicatória de um livro, deparei-me com a seguinte pérola:


À Peter,

Estas memórias de nosso futuro.


O futuro a cada um pertence e está absolutamente comprometido com aquilo que fazemos hoje. Não por outro motivo devemos nos auto responsabilizar pelas memórias que criamos.


É óbvio que nosso controle é parcial, circunstancial mas, através do planejamento, temos a possibilidade de fazer uso das faculdades mentais que nos dota da capacidade de abstração, antecipação, inferência, dedução, lógica, linguagem e que nos permite considerar possibilidades. Essa capacidade de pensar em diferentes e eficientes caminhos para chegar aonde se deseja é potente e libertador. Por isso, quem ainda acredita na máxima do deixa a vida me levar, pode considerar a possibilidade de um ajuste no mindset.


Enfim, planejar não nos aprisiona nem tampouco engessa. Ao contrário, é a postura que insiste em resgatar o Papai Noel que um dia existiu para cada um de nós, postura essa ancorada no pensamento mágico infantil, que pode paralisar nossas vidas.


Que nossos Noéis estejam vivos para sempre, mas em nossas lembranças, não em nossas atitudes!


32 visualizações

© 2019 - Chris Vilhena criado por Ag5521