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  • Chris Vilhena

NÃO SE PODE VENCER UM INIMIGO AUSENTE...

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a depressão é uma das principais causas de incapacidade no mundo. O suicídio, associado à depressão, faz cerca de 850.000 vítimas anualmente.


Trata-se de um transtorno de humor – um humor depressivo ou as vezes irritável – que lentifica as funções psíquicas e motoras do indivíduo, comprometendo também sua capacidade de atenção e concentração. A depressão se instala de maneira silenciosa. Quando diagnosticada sua tessitura já pode ter enredado várias áreas da vida.


Sua etiologia é multifatorial. Várias causas podem estar envolvidas no seu aparecimento.


• Causas genéticas;

• Físicas como o desequilíbrio hormonal, certas patologias (neurológicas, infecciosas ou oncológicas);

• Alguns medicamentos, que têm como efeitos depressões secundárias;

• Causas psicodinâmicas que aludem às relações dos doentes com o meio e, em particular, com os pais/educadores ao longo do seu desenvolvimento;

• Fatores sociais, como a vulnerabilidade, empobrecimento das relações interpessoais, desemprego, perdas importantes ou acontecimentos traumáticos também podem estar na sua origem.


Mas, seja qual for sua origem, há algo em comum na vida daqueles que sofrem com a depressão: a lente através da qual o depressivo enxerga o mundo tem filtros monocromáticos e alcance curto.


Mesmo sendo difícil precisar sua causa, é bastante razoável aceitarmos a ideia de que quanto mais saudável forem nossos hábitos e atitudes diante da vida, menores serão as chances de sermos acometidos por essa dolorosa enfermidade psíquica. Ninguém está livre de situações traumáticas. A vida nos impõe a todos desafios a serem superados, mas credito, firmemente na ideia de que nosso crescimento repousa sobre a nossa capacidade de lidar com eles.


Aliás, vale fazer um aparte aqui, trazendo uma ideia de Freud da qual gosto muito.

Freud diz que não é possível vencer um inimigo que esteja ausente. É preciso nomeá-lo.

Ora, num processo terapêutico trata-se, justamente disso: identificar os nós, percorrer seus caminhos para afrouxá-los, entender suas conexões e respirar um pouco mais aliviado. Não há magia. Eles não vão simplesmente desaparecer. Mas poder bem dizê-los é tomar acento no processo do próprio sofrimento para dali de dentro procurar uma saída capaz de trazer mais cores e ampliar o alcance da visão.


Quanto mais nos preparamos internamente, quanto mais sólidos são nossos valores, quanto maior é a nossa capacidade de análise e discernimento, quanto maior é o nosso conhecimento acerca do nosso mundo psíquico/emocional, maiores são as nossas chances de bem lidarmos com os fatos difíceis da vida. Podemos entristecer, viver nossos lutos, mas com resiliência saberemos absorver o impacto, aprender o que tiver que ser aprendido e seguir em frente.


Não adoecemos inteiramente. Temos ilhas sãs. E são elas que brigarão por mudanças e que precisam ser estimuladas. Novos hábitos podem levar a novas experiências e essas podem contribuir para o reaquecimento da máquina de desejar que ficou lentificada e sem esperança.


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