Caderno de Reflexões

Ensino médio não é ENEM

As últimas medidas aprovadas pelo MEC podem, do verbo vamos ver o que vai acontecer , dar início à reversão de um processo muito perverso que assolou a maior...

Ensino médio não é ENEM

As últimas medidas aprovadas pelo MEC podem, do verbo vamos ver o que vai acontecer, dar início à reversão de um processo muito perverso que assolou a maior parte das escolas do nosso país, especialmente, aquelas que tem o Ensino Médio em seus quadros: a disputa pelas melhores posições no ranking gerado pelo ENEM.

ENEM é a sigla de Exame Nacional do Ensino Médio – exame criado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) para testar o nível de aprendizado dos alunos que concluíram o ensino médio no Brasil e cujos resultados ajudam os estudantes a ingressar em universidades públicas ou ganhar bolsas de estudos em instituições particulares.

A decisão do Ministério da Educação e Cultura proíbe a divulgação do resultado da lista do ENEM – dado que costumava ser disponibilizado anualmente. Essa lista, popularmente conhecida como “ranking” do ENEM por escola, era utilizada como propaganda e produzia segundo Mendonça Filho, ministro da Educação, um desserviço e muita desinformação. ENEM avalia alunos e não escolas.

Mas, evoquemos aqui o conceito de inércia.

Há anos muitas escolas vem pautando seu planejamento e estratégias pedagógicas tendo em vista a conquista de uma posição respeitável nesse ranking. A verdadeira preocupação com a formação global do aluno foi posta de lado para que sua produtividade pudesse reluzir o brilho da escola. A que preço?

A busca pelas melhores posições nas aprovações no ENEM e outros vestibulares transformaram a Educação, especialmente a do Ensino Médio, em um intenso período de TREINAMENTO, justamente num momento em que a formação do aluno como cidadão, pensante do mundo, deveria ser prioridade.

Não por acaso encontramos nos consultórios e centros especializados queixas que refletem tanto o estresse causado pela pressão da alta produtividade, quanto a apatia gerada pela falta de sentido do espaço escolar.

A competitividade faz parte do modo como a vida se organiza em nosso sistema. É preciso que nossos filhos aprendam a se situar, a conquistar seu lugar e a buscar o constante desenvolvimento e superar suas dificuldades. Fato. Mas isso é somente uma parte do processo. Nesse tempo de sua formação, a riqueza de seu mundo interior e dos recursos cognitivos que se revelam, deveriam ser melhor explorados a fim de contribuir para a gestação de pessoas de bem, criativamente produtivas, emocionalmente equilibradas, eticamente responsáveis e intelectualmente atuantes.

Quando se toma a parte pelo todo, subestimam-se outros aspectos cuja força, num todo, poderiam, verdadeiramente, fazer diferença.

Que possamos romper com a inércia dos últimos tempos para criar novos e melhores movimentos.

Foto de Christiane Vilhena, psicóloga clínica (CRP 12/10.679) e autora do blog
Sobre a Autora

Christiane Vilhena

Psicóloga Clínica (CRP 12/10.679), psicanalista e mentora com mais de 20 anos de experiência clínica. Conduz indivíduos e profissionais por processos de transição de carreira, autoconhecimento, posicionamento e construção de uma vida com mais sentido e autenticidade.

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