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Através do amor ou da dor?

Diz o ditado popular, sempre sábio, que aprendemos através do amor ou da dor.


Que caminho temos sido capazes de escolher?


Será que ainda resta alguma dúvida de que vivemos em uma grande teia e de que não há um lugar fora dela?


Seja pelo viés espiritualista de que somos UM em absoluta conexão; seja pelo viés lógico-científico de que toda ação gera uma reação; seja pelos fatos frequentemente expostos pelos ambientalistas, vivemos todos em uma mesma casa e por ela somos responsáveis. Livres para escolher nossos caminhos e absolutamente responsáveis pelas consequências das escolhas feitas.


O #coronavírus família de vírus responsável por infecções respiratórias e, especificamente pelo #COVID19 nos coloca, mais uma vez, diante da oportunidade de aprendermos a lição do pensar coletivo. Segundo especialistas, o pico epidêmico, deve chegar ao Brasil em 30, 40 dias. Como queremos lidar com essa situação e o que podemos aprender com ela?


Será através do amor, do respeito, do bom senso, da obediência às orientações dos especialistas, da capacidade de abrirmos mão de prazeres pessoais ou interesses econômicos em prol da segurança da coletividade ou, através da dor, teremos que lamentar nossa pequenez enterrando nossos mortos?

A decisão é pessoal, as consequências, coletiva. Qual a sua escolha?


Estamos todos em constante estado de crescimento, de evolução e temos diante de nós, em escala de proporção global, uma grande oportunidade de responder com inteligência, tanto do ponto de vista cognitivo quanto emocional, ao desafio que o corona nos coloca.


Em termos pragmáticos devemos seguir as orientações estabelecidas pelas autoridades e eleger algumas (poucas) fontes de informação para que nos mantenhamos atualizados. O suficiente, basta.

Em termos subjetivos, podemos e devemos, em nosso próprio benefício e, consequentemente, em benefício daqueles com quem convivemos, examinar nossa conduta diante da situação que se apresenta. Para esse exame, vou relatar uma experiência muito interessante de uma grande referência internacional, para depois propor uma atividade prática que poderá ajudar você a conhecer um pouco mais da dimensão psicológica responsável por suas atitudes.


Segue comigo?


Lembro aqui de uma experiência incrível relatada por Tony Robbins por ocasião do ataque às Torres Gêmeas. Ele estava com um grupo em uma ilha para um workshop de imersão e, na noite de abertura dos trabalhos propôs uma tarefa bem desafiadora. Para que todos pudessem estar ali inteiros e sem peso nos corações, pediu para que cada um identificasse a necessidade de se entender com alguém, fosse para dar explicações, perdoar ou pedir perdão. Estavam todos, literalmente numa ilha, e como dali não poderiam sair, precisavam resolver essas pendências. Naquela noite, todos se recolheram após o jantar para dar conta da tarefa.


Durante a madrugada, em razão do fuso horário, muitos começaram a receber as primeiras notícias sobre o ataque às Torres e, na primeira hora do dia, Tony reuniu os participantes. Estavam todos muito abalados. Era preciso abrir espaço para que pudessem falar. A emoção transbordava e precisava de acolhimento. Ouviu um a um, em suas diferentes manifestações de dor. Uns estavam completamente descompensados, chorando muito; outros revoltados e alguns culpados por não poderem ajudar já que com o fechamento do espaço aéreo, de fato, não poderiam sair da onde estavam.


Enfim, num dado momento o que Tony percebe é que, a despeito do ocorrido, cada um ali reagiu como reagiria em qualquer outra situação em suas vidas. Um nome diferente para o que Freud já havia nomeado como repetição e para o que, na psicologia cognitiva, encontramos a expressão de padrão comportamental.


A partir dessa experiência Tony desenvolve uma atividade muito interessante para a identificação daquilo que nomeia como sendo nosso lar emocional.


A ideia é que cada um de nós, diante das situações que a vida apresenta, se refugia ali. E a importância de entendermos a qualidade desse lar se deve ao fato de que é dali, desse lugar subjetivo, que interpretamos e respondemos às situações da vida. Não por outro motivo, quanto mais em ordem estiver a casa, mais saudáveis serão nossas respostas, nossos comportamentos.

Vamos à atividade.


Leia uma instrução por vez para que suas respostas não sejam, inconscientemente, manipuladas.


  1. Em uma folha faça uma linha, dividindo-a ao meio. Na coluna da esquerda coloque o sinal de positivo e, na direita, o de negativo.

  2. Pense em todas as suas emoções, tanto positivas quanto negativas e registre-as nas respectivas colunas. Para ajudar, pense em situações cotidianas em casa, na escola, no trabalho, no trânsito, com seus amigos, nas redes sociais, com seu amor... enfim, registre o que puder sendo o mais honesto consigo.

  3. Agora faça um círculo nas três emoções positivas e nas três emoções negativas mais recorrentes.

  4. É a essas seis emoções que Tony chama de Lar Emocional. Aconteça o que acontecer, sua tendência é interpretar e responder às situações através dessas emoções.

  5. Como ser em evolução, é bem possível que seu lar precise de uma reforma. Para isso, faça um traço embaixo da coluna das emoções positivas e ali registre: que outras emoções ou sentimentos, você precisa desenvolver para fazer frente àquelas negativas (os) que circulou?

  6. Por fim, que atitudes, que competências poderiam te ajudar nessa missão?


Pois bem, diante de uma crise global que depende do comprometimento de cada um para ser debelada, qual a sua contribuição? Amor ou dor?


"Isso nós sabemos.

Todas as coisas são conectadas

Como o sangue

Que une uma família...

O que acontecer com a terra

Acontecerá com os filhos e filhas da terra.

O Homem não teceu a teia da vida,

Ele é dela apenas um fio.

O que fizer para a teia

Estará fazendo a si mesmo."

Ted Perry

(Inspirado pelo Chefe Seatle)

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