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A SUTILEZA DE NIETZSCHE

Sempre gostei e fiz muito uso da frase de Leonardo Boff: "Os olhos vêem a partir de onde os pés pisam."


Meus amigos, pacientes e clientes certamente já a ouviram mais de uma vez. Talvez seja porque não são poucas as situações em relação às quais tenhamos que nos a ver com o fato de existe algo diferente para além de nossos próprios umbigos.

Falar da diferença, falar do modo particular com o qual cada um de nós interpreta e reage frente aos fatos da vida é possível e intelectualmente bastante excitante, até. A prática desse discurso, contudo, fatalmente nos impõe desafios muito maiores. Esses estão distantes do jogo bem articulado de conceitos elaborados e de uma fala eloquente.


Viver com, na ou a partir da diferença nos coloca frente a frente com a parcialidade de nossas verdades. Diferentes pontos de uma mesma vista.


Compor com o outro, encontrar um lugar, que a despeito das diferenças seja confortável, não é fácil e nem sempre desejável, sejamos francos.


Noutro dia lendo as Memórias, Sonhos e Reflexões de Jung me deparei com uma frase de Nietzsche cuja contundência causou um impacto ainda maior que a do Boff, muito embora falem do mesmo.


Esperamos que estejamos longe da ridícula pretensão de decretar que nosso pequeno canto seja o único a partir do qual tenhamos o direito de ter uma perspectiva.

Nietzsche e sua sutileza...


Ocorreu-me então algo também há muito já sabido, mas, provavelmente, não o bastante.

Nosso pequeno canto, apesar de pequeno, ao comportar outros espaços nos confronta com essa ridícula pretensão quando decretamos nossas perspectivas como se fossem eternas.


Essa frase me provoca por trazer um outro atributo da verdade. Além de parcial ela é temporária.


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