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Do Fitness ao Wellness

A Psicologia sempre teve de lidar com a questão mente-corpo. Historicamente, encontramos dois modos clássicos de tratar esse problema na Filosofia. O dualismo defende a ideia de que mente e corpo são irreconciliáveis e irredutíveis. No materialismo, por outro lado, reside a crença de que tudo é de natureza física e, por esse viés mais reducionista, a mente deve ser descrita apenas fisicamente, ou seja, em termos de processos cerebrais.


Mas o tempo passou e a visão desse mundo mecanicista de Descartes e Newton cedeu lugar a uma visão holística e ecológica. A nova realidade, trazida pela física quântica, colocou em cheque uma linguagem e um modo de pensar que se mostraram inadequados para descrever os fenômenos atômicos e subatômicos.


Na teia da vida, nos conectamos ao todo a partir de nossa própria existência, que não mais se restringe a um corpo ou a uma mente, mas que pode ser pensada como a nossa unidade. Quando aplicamos o conceito ecológico a essa nossa unidade, tomamos a nós mesmos como um todo complexo, cuja harmonia depende da boa inter-relação de nossas partes. A ecologia do corpo é, para Estélio H M Dantas, “a pedra fundamental da criação de uma consciência ecológica consistente, pois a partir da preservação do próprio corpo, cada ser humano perceberá, de forma muito mais clara, a necessidade de preservar o meio ambiente”.


Do Fitness ao Wellness – a tendência do movimento ecológico

Originado da junção das palavras, fit = apto e ness = aptidão, temos o conceito de fitnessembora a expressão correta seja physical fitness, ou aptidão física – que se caracteriza pela ênfase na saúde física do indivíduo.


Tomemos agora o conceito de wellness para pensar o bem (well) estar (ness) dos adultos num sentido mais amplo e no qual baseio minha prática do Coaching de Qualidade de Vida. São seis dimensões que impactam o bem-estar do homem. Dessas, embora quatro advenham do conceito de fitness, as duas últimas são fundamentais para que possamos entender o ecológico em ação.





No campo fitness é possível classificar quatro grandes áreas responsáveis pela saúde do indivíduo. São elas: física, social, emocional e intelectual. A elas, o conceito de wellness acrescenta a área espiritual, a partir da qual o homem procura significado na vida, reavaliando seus valores e sua ética; bem como a vocacional, através da qual estabelece e realiza interesses pessoais e progride encontrando significado em atividades na comunidade.


O wellness representa a transcendência. Para além de si, o homem busca o entendimento da realidade de sua vida, a harmonia com o ambiente que o cerca e sua evolução. Se o fitness visa a saúde, o wellness objetiva a qualidade de vida e o integra nesse todo. Assim, a prática da ecologia do corpo só é possível a partir do autocuidado, do amor e da capacidade de autotranscedência.


A consciência dessa complexidade nos convoca a um posicionamento: o que fazemos com aquilo que já sabemos? São inúmeros os benefícios psicológicos proporcionados pela prática da atividade física e pela adoção de atitudes que contribuam para a qualificação do wellness. Está ao nosso alcance amenizar estados depressivos, de estresse e de ansiedade, melhorar a autoestima, ampliar a rede de relacionamentos, prevenir o desgaste cognitivo e incrementar a memória e a produtividade.


Nosso bem-estar, assim como o de nosso entorno, depende de nós. Na grande teia da vida, somos todos responsáveis e arcamos com as consequências de nossas escolhas. A boa notícia é que sempre podemos rever as decisões tomadas para acertar o passo. Num artigo publicado recentemente, abordo as vicissitudes vividas por qualquer um que deseje empreender e sustentar uma mudança significativa na vida. E então, está na hora de virar o jogo a seu favor?

Fitness, Saúde, Wellness e Qualidade de Vida - Estélio Henrique Martin Dantas

A Teia da Vida – Fritjof Capra

Coaching a Hora da Virada – Christiane Vilhena

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