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O que te colore?

Não são poucas as situações da natureza que nos ajudam a compreender um pouco mais da vida, da nossa vida. Algumas, contudo, parecem ter o poder de revelar significados que sempre estiveram ali embora não o soubéssemos. Foi assim com o que soube do Tiê Sangue, ave símbolo da mata atlântica.


Esse pássaro lindo de cor intensa perde seu brilho quando em cativeiro. A razão é simples. Preso ele desbota por não poder se alimentar daquilo que o colore. A metáfora é poderosa: a alma é livre quando se alimenta daquilo que a colore. Quando estamos bem alimentados vibramos, encaramos bem nossos desafios, brilhamos. Quando não, a vida se arrasta e o sentido nos falta.


No reino animal a astaxantina, pigmento responsável pela manutenção da coloração, de certo modo, simplifica as coisas para os pássaros. Mas como fica essa situação no reino humano quando temos que responder à provocação dos Titãs em COMIDA: Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?


Nossa vida é dinâmica, é orgânica. Alguns de nossos alimentos o serão para sempre, outros mudarão. Acontece que nem sempre nos damos conta disso e, quando percebemos, estamos desbotados, num piloto automático, sem saber ao certo para onde estamos indo e muito menos o porquê da direção tomada. O encerramento de cada ciclo em nossas vidas nos convoca a repensar a direção desejada. É quando chega o momento (nem sempre no final do ano) de fazer o balanço, entender as lições aprendidas, decodificar os sinais e definir um novo norte. Nesse movimento, geralmente temos diante de nós o desafio de nos lançar em novos caminhos.


Contudo, não devemos nos esquecer que permanecer no mesmo lugar, quando ele já não faz mais sentido, não deixa de ser um também um desafio que comporta um risco ainda maior. Se toda escolha tem um preço, que possamos pagar por aquilo que nos colore.

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