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  • Chris Vilhena

Psicologia ou Psicologia(s)

Se cada um que fala, fala de um lugar, o seu, quais as principais diferenças entre o psicólogo e o psicanalista, como são suas atuações e formações?


Todos os profissionais do campo psi tem em comum o fato de atuarem no campo da subjetividade humana, ou seja, aquilo que faz com que cada um seja um e, por conta disso, apresente um comportamento que se organiza em torno dessa sua maneira de ser, perceber e atuar no mundo.


A questão é que tirando o campo da subjetividade e o grande objetivo da promoção da saúde mental, cada profissional fala de um lugar diferente.


Vejamos:


Em primeiro lugar devemos entender que cada um exerce seu ofício à sua própria maneira. Então, por mais que tenhamos a mesma formação, lidamos com ela a nossa maneira. É fato que devemos seguir as orientações de nossa linha de atuação, mas cada um o faz de acordo com seu estilo, sua marca pessoal.


Em segundo lugar devemos considerar a questão da formação. Para se tornar um psicólogo é necessário cursar a Graduação de Psicologia. Para se tornar um psicanalista, não necessariamente. Sua formação se dá através de seminários e leituras realizados em instituições especializadas, através do próprio processo de análise pessoal e das supervisões de casos clínicos. Trago aqui uma passagem do próprio Freud a respeito dessa formação:


“O preparo para a atividade analítica de modo algum é fácil e simples. O trabalho é árduo, grande a responsabilidade. Mas, qualquer um que tenha sido analisado, que tenha dominado o que pode ser ensinado em nossos dias sobre a psicologia do inconsciente, que esteja familiarizado com a ciência da vida sexual, que tenha aprendido a delicada técnica da psicanálise, a arte da interpretação, de combater resistências e de lidar com a transferência - qualquer um que tenha realizado tudo isso não é mais um leigo no campo da psicanálise. Ele é capaz de empreender o tratamento de perturbações neuróticas e ainda poderá com o tempo alcançar nesse campo o que quer que se possa exigir dessa forma de terapia.” (Freud, A Questão da Análise Leiga, cap. V)


Em terceiro lugar, devemos considerar as diferentes abordagens possíveis. Um profissional, seja ele um psicólogo ou psicanalista, pode atuar em diferentes campos como os consultórios clínicos, escolas, hospitais, empresas, no campo jurídico entre tantos outros. Contudo, existem diferentes abordagens e cada um desses profissionais vai adotar uma delas como sua referência de trabalho. O que isso significa exatamente?


Embora a subjetividade humana seja o objeto de estudo da Psicologia, existem diferentes formas de pensá-la. Por isso falamos em Psicologias e não em Psicologia. Cada escola da Psicologia pensa e trabalha essa subjetividade de acordo com a concepção de homem que tem. Cada uma dessas escolas tem seu objeto de estudo bem definido, seu campo bem delimitado, seus próprios métodos de estudo desse objeto, suas próprias teorias, bem como seus métodos de tratamento.


À título de exemplo posso destacar 3 importantes escolas ou teorias da Psicologia: o Behaviorismo, a Gestalt e a Psicanálise.


Na graduação, durante os 5 anos de curso, o aluno é apresentado, entre outras disciplinas, a essas diferentes escolas Psicologia. Ao longo de sua formação, por identificação, acaba escolhendo a linha que se apresenta mais alinhada às suas próprias percepções e concepções e nela aprofunda seus estudos.


Assim, existem dois acessos possíveis à psicanalise: ou através de uma formação direta, exclusivamente focada no estudo do inconsciente e suas manifestações, ou através da graduação em psicologia, a partir de onde poderá identificar-se com essa linha e seguir em seus estudos.


Independentemente da linha adotada, seja um psicólogo com formação em Gestalt terapia, em terapia cognitiva comportamental ou em psicanálise ou um Psicanalista, cuja formação se deu através das Instituições especializadas, todos lidam com as desordens como a depressão, fobia, angústia, transtornos alimentares, dificuldades sexuais, compulsões, etc, que afetam o equilíbrio emocional das pessoas e seus comportamentos e buscam contribuir para o reestabelecimento da saúde mental.


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