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  • Chris Vilhena

Sente o vazio existencial?

Estou convencida de que a vida é feita de ciclos que organizam nossa existência. Talvez nem sempre tenhamos muita consciência deles, mas, normalmente, eles se revelam quando estão no fim. Parece que nossos movimentos vão ficando mais lentos e, aos poucos, nos damos conta que não fazem mais sentido.


Esse é um momento muito delicado e, não percebê-lo, pode nos colocar diante de um estado emocional que vai se instalando discretamente. Quando nos damos conta, a vida está há tempos sendo vista através de filtros que minimizam suas diferenças. Sem contrastes, sua intensidade fica reduzida e não há surpresas. Fazemos mais do mesmo e isso já não faz mais tanto sentido quanto fez um dia. Numa espécie de piloto automático, a vida vai sendo tocada. Nesse estado semi-acordado, não percebemos o que acontece. Tudo caminha morno até que uma situação funciona como um estalo e nos tira daquele transe para nos lançar num vazio que já não é quase possível nos reconhecer: um vazio da própria existência.


Precisamos de um propósito, necessitamos nos dirigir para algo além de nós mesmos. É isso que nos engaja nessa aventura chamada vida e nessa comunidade chamada humanidade. É necessário nos perguntarmos sobre o sentido de nossas vidas. Temos referências maravilhosas de pessoas que tinham muita clareza de seu propósito, de toda sua dor vivida ou dificuldade enfrentada. Essas pessoas são especiais, pontos fora da curva, que tornam mais clara a ideia de Nietzsche de que, em razão de um propósito, podemos suportar quase qualquer como.


Mas mesmo em nossas vidas mais “humildes”, diante de nossos feitos, podemos trazer a pergunta sobre o sentido. Aliás, devemos fazê-lo em respeito à própria vida. Determinadas razões e decisões nos colocam em caminhos específicos. Precisamos reconhecer quando seus fins chegam. É necessário saber admitir os momentos nos quais outras porções de nós nos chamam para outras vivências, nas quais experimentaremos outros valores, outros “eus” de nossa complexa existência. Que saibamos atentar para nossos tempos. Sem precipitação. Mas sem, tampouco, perder a hora.

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