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  • Chris Vilhena

Sobre a arte de escolher

"Todo momento de achar é um perder-se a si próprio." - Clarice Lispector


"Todo momento que nos identificamos com algo, que fazemos uma escolha na vida, envolve perder a si próprio nos aspectos que aquela escolha não inclui." - Thomas Carneiro, psicanalista.


Como estar em TODAS as suas vertentes e em TUDO que você pode amar? Não dá. Não é possível.

Tudo é muito e por isso precisamos escolher. Afinal, estar dividido entre duas situações é uma excelente forma de não estar em nenhuma. Não por acaso escolher é tão difícil. Ninguém gosta de perder e TODA escolha pressupõe uma perda. Por isso é fundamental entender a nossa responsabilidade em cuidar das “coisas” escolhidas.


O que pode nos orientar nessa tarefa? – a clareza dos critérios.


Tomemos como exemplo a escolha da profissão. Essa escolha não é, obviamente, a primeira escolha na vida de uma pessoa, mas talvez seja a primeira mais formal. Definir bons critérios que a orientarão é, seguramente, o melhor caminho.

Ok, mas como podemos definir bons critérios?


Por bons critérios, entendo aquilo que podemos eleger como nossas prioridades num determinado contexto, tendo em vista uma determinada perspectiva.

Subjetivo? Bastante! Mas, dotar esse processo de uma “falsa” objetividade não parece ser a melhor saída. Uma resposta ligeira, carente de uma análise mais aprofundada, dificilmente conseguirá se sustentar.

É preciso dedicar tempo à definição dos critérios de busca tendo em mente tanto os nossos princípios e valores (talvez nossas maiores constâncias), quanto a relatividade de nossos contextos (já que em cada fase de nossas vidas nos deparamos com demandas bastante diferentes).


Toda e qualquer decisão deve levar em conta a análise do cenário atual e do cenário desejado. Só assim é possível definir, com clareza, os requisitos que contribuirão para a definição da escolha a ser feita.

Nem a melhor, nem a pior, mas a decisão mais adequada tendo em vista meus desejos, recursos e necessidades.


A vida pulsa. É nela e em movimento que precisamos tomar nossas decisões.

Acredito tanto na responsabilidade do cuidar das coisas escolhidas, quanto em dar leveza ao processo de construção da escolha em si. Quando dele retiramos o peso do “para sempre”, trazemos suavidade àquilo com o que quero e posso me comprometer, tendo em vista meu desejo de futuro.


Mais que isso é especulação, que endurece a vida, tirando dela a graça da surpresa, do movimento.

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