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Um desafio chamado adolescente

Como pais precisamos entender que cada fase do desenvolvimento de nossos filhos demandará novos e diferentes esforços. Demandará lutos também porque o papel que desempenhamos como pais e mães se altera nas diferentes fases de nossos filhos – ser pai e mãe de bebezinhos é bem diferente de ser pai e mãe de crianças, adolescentes, jovens e adultos.


Isso pode ser muito interessante. Trabalhoso, sem dúvida, mas, rico se soubermos aproveitar a oportunidade de evoluir através do crescimento que fomentamos no outro. Se no adolescer os filhos precisam ser os protagonistas de sua própria educação, cabe a nós pais ajudá-los na transição para a vida adulta. Nesse momento, muitas vezes tenso e turbulento, é preciso cautela. Entramos em uma maratona e, por isso, nenhuma explosão compatível à uma prova dos 100m rasos será de grande valia.


Não existe um manual de instrução, mas boas práticas auxiliam na tarefa de educar.


A mais incrível e desafiadora dessas práticas é o DIÁLOGO. Ela é tão antiga quanto eficaz. Não há relação se não houver comunicação. Se assumirmos como verdadeira a premissa de que relação se constrói a dois, teremos o diálogo como a chave para assegurar tanto a condição quanto a saúde da relação entre pais e filhos.


E o que pode contribuir para o êxito desse projeto de longo prazo?


Como educadores precisamos ter bem desenvolvidos três talentos fundamentais:


Empatia, ou seja, a capacidade de entender o outro de seu ponto de vista;

Resiliência, que é a capacidade de absorver impactos, processá-los e seguir em frente;

Liderança, para que saibamos bem dizer do lugar do qual falamos – como pais devemos entender que a relação é assimétrica e que, portanto, não devemos confundir amorosidade com permissividade.

Partindo do princípio que dispomos desses importantes recursos, podemos e devemos levar em conta alguns requisitos, para que possamos assegurar boas condições para a construção de um espaço de diálogo. São eles:


Tempo e ambiência – é importante criar o ambiente propício e o momento adequado para o diálogo fluir. O tempo não é, necessariamente, quando queremos, mas quando eles precisam. É ai que se abrem para o diálogo. Trânsito congestionado e situações similares também não criam bons ambientes. Falta de foco e tranquilidade em nada contribuem para uma boa conversa.

Confiança – não é uma virtude que se adquire mas uma que se oferece. É base de toda e qualquer conversa que se pretenda útil e franca. Se nossos filhos não puderem sentir-se confiantes, não falarão. Oferecer um espaço para o diálogo, para na sequencia usar o que foi dito contra eles, soará como traição e poderá implicar no fechamento desse canal.

Respeito e Flexibilidade – aceitar suas maneiras. O adolescente está se experimentando em sua nova condição. Roupas, estilo de comunicação, argumentos… tudo é extremamente novo. Volátil também. Respeitar a forma como se apresentam e, ao mesmo tempo, trazer a serenidade para o diálogo, contribuirá para que a comunicação vá, aos poucos, ganhando um bom tom.

Argumentação – trata-se de argumentar e estimular a argumentação do outro. Fundamental para apresentar em ato a regra do jogo. Se tiver que haver algum “vencedor”, ele o será por ter apresentado os melhores e mais consistentes argumentos e não pela intimidação causada por qualquer tipo de ameaça.

Negociação – estabelecer acordos, pois eles geram compromissos que contribuem para a união. Importante ter clareza daquilo que de fato é essencial, para que a margem de negociação seja o menos conflitante possível.

Transmissão de valores e critérios – sim, mas com moderação. Em toda comunicação transmitimos, direta ou indiretamente, nossos valores – condições das quais não abrimos mão na condução de nossas vidas. Isso é muito importante na formação de nossos filhos. Contudo, querer fazer isso de uma só vez, através de longos e solitários sermões, poderá causar uma resistência muito grande.

É bom lembrar: fazemos bem aquilo que fazemos sempre. Praticar é fundamental. O aprendizado está para todos.

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